Fiquei preocupado quando vi a reação indignada dos cariocas – e por extensão dos brasileiros - diante da piadinha do Robin Williams.
É outro triste exemplo de como estamos perdendo o senso de humor, nossa capacidade de auto-criticar, nos tornando cada vez mais hipócritas. Praticamente no mesmo dia onde estouraram os escândalos dos governadores corruptos escondendo dinheiro na roupa (já se viu algo mais patético?), ou seja, era isso que devia estar nos enchendo de indignação. Nas piadinhas mostradas fora de contexto.
Que moral a gente tem para cobrar uma boa imagem no exterior (alias isso é besteira, é o velho complexo de cachorro vira lata de que falava o Nelson Rodigues).
Já cansei de repetir que americano não acha nada da gente porque não tem a menor ideia de quem somos nós, de que no Brasil fala português e assim por diante.
Na verdade, não sabe também coisa alguma sobre qualquer outro país, a não ser seu bairro e no máximo, seu estado. É totalmente centrado em seu umbigo e Brasil é uma visão distante e tropical e libertária.
Tudo na vida tem sempre mais de que um ponto de vista. Diante da piada de Robin Williams (e não Robbie Williams, aquele cantorzinho inglês que vive tirando a roupa), houve primeiro o espanto por ignorância.
Robin sempre foi um dos mais virulentos e atrevidos humoristas americanos, bem caótico, implacável, sem agenda política. Felizmente na tevê americano o humor floresce falando democraticamente mal de todo mundo (Bush sofreu muito e agora sofrem os humoristas porque Obama não tem a mesma graça).
O que as pessoas não perceberam no Brasil, é que de certa maneira Robin estava até elogiando os brasileiros que foram espertos e deram aos organizadores das Olimpíadas, aquilo que eles queriam, ou seja, cocaína (Pó) e prostitutas.
Quem poderia ficar ofendido era o americano que foi incompetente, mesmo levando dois ícones máximos deles, a mulher de Obama e Oprah Winfrey. Ou seja, a piada era com eles e não com nós.
Aliás, como se nós hipocritamente agora estivéssemos fingindo que não temos cocaína de sobra nos morros cariocas e deus sabe onde no resto do país.
E que a prostituição, mesmo infantil, não fosse um problema gravíssimo ao qual as pessoas preferem fechar os olhos. É muito grave quando começamos a acreditar em nossa própria propaganda.
Saber rir e criticar nossos problemas é o primeiro passo para tentar modificá-los. Ficar indignado é para pessoas que entendem tudo literalmente, ao pé da letra.
Se queremos ser respeitados internacionalmente, que tal começar abrindo a cabeça. E o sorriso.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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Concordo com o que você disse sobre os EUA, mas acho que ele é um imbecil junto com quem riu da piada dele. Quanto ao Robbie Williams, ele não é um cantorzinho, você está muito mal informado. Não acho que tem necessidade dizer a você quem ele é também, não faz diferença vc saber ou não. Ah... e ele tira a roupa porque pode, tem corpo para isso e ninguém tem nada haver com isso ele tira o que é dele e vc não paga as contas dele, paga? Não tem nada haver você tentar ofender os outros só para tentar fazer com que os outros comprem suas idéias, quem faz isso é babaca. Eu disse tentar ofender porque ele não está nem ai para vc. Isso é inveja.
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